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terça-feira, 24 de março de 2009

Simulando campos elétricos

A matéria das próximas semanas nos terceiros colegiais diz respeito à Lei de Coulomb e ao Campo Elétrico.

Já tratei da Lei de Coulomb com os alunos do ponto de vista conceitual, e já fizemos algumas atividades práticas usando canudinhos plásticos, onde foi possível demonstrar os processo de eletrização por atrito, contato e indução e, de quebra, os alunos puderam literalmente "sentir" a força elétrica e explorar conceitualmente a lei de Coulomb. Porém... Eis que agora é hora de lhes mostrar o famigerado "Campo Elétrico", esse famigerado ente matemático abstrato e de difícil representação (do ponto de vista do professor que só dispõe de giz e lousa).

Para contornar esse GIGANTESCO problema de representar campos elétricos de forma eficiente no plano da lousa, vamos fazer uso, como no ano anterior, de simulações por computador. Na verdade, nesse ano, serão três!

A primeira delas destina-se a mostrar como as linhas de força do campo elétrico se distribuem no espaço tridimensional e como a intensidade das cargas geradoras afeta a densidade de linhas no espaço. Para isso usaremos o simulador criado por Paul Falstad, um sujeito que parece ser "muito legal!" e que disponibiliza vários simuladores java em seu site. Para acessar a simulação "online" basta clicar na imagem mostrada abaixo (um print-screen da tela durante uma simulação). Para todas as simulações será necessário possuir o JAVA instalado no computador, se sua simulação não abrir, baixe o programa clicando no link fornecido e o instale.

A segunda simulação que usaremos, destina-se a mostrar a configuração de linhas de força no plano para um número qualquer de cargas geradoras (na verdade parece que o simulador suporta, no máximo, 14 cargas) com sinais e intensidades ajustáveis. Este simulador está disponível em uma página do CALTECH (California Institute of Technology) e também pode ser acessado diretamente clicando-se na figura abaixo (um print-screen da tela durante uma simulação).

E, por fim, usaremos uma simulação por computador fornecida por Fu-Kwun Hwang, da National Taiwan Normal University, que mostra a forma como uma carga de prova reage à ação do campo de um dipólo elétrico quando abandonada em repouso em algum ponto do espaço. O simulador mostra a força resultante sobre a carga, o vetor velocidade instantânea e, ainda, simula seu movimento, traçando sua trajetória. A figura abaixo é um print-screen da tela durante uma simulação e também é clicável, porém é necessário se registrar no site para baixar as simulações para seu computador e rodá-las off-line. As demais simulações podem ser baixadas sem registro.


Fica aqui a sugestão para quem quiser fazer um upgrade na sua aula tradicional e, de brinde, sofrer menos na hora de apresentar esses conceitos. É claro que isso pressupõe que o professor disponha, pelo menos, de um computador e um datashow. No meu caso, eu usarei um notebook com conexão wireless com a Internet e um datashow (Sim, nós temos! Ninguém nos deu, mas nós demos um jeito mesmo assim).

domingo, 1 de março de 2009

E por falar em atividades práticas...

Aproveitando o gancho da postagem anterior (sobre a caixa-preta e as atividades práticas em geral), aqui vai uma dica para quem gosta de "fazer física com as mãos" e não apenas de "ler sobre física" (humm... a dica também vale para quem não gosta de Física de jeito nenhum, ok?).

A internet é riquíssima em recursos educacionais quando se trata de experimentação. Há milhares de páginas ensinando a se construir todo tipo de bugiganga e sobre como realizar atividades experimentais e demonstrações didáticas, o próprio MEC está envolvido em um projeto internacional para a construção de um "Banco Internacional de Objetos Educacionais". Até esse humilde professor que vos escreve tem lá uma contribuição com um roteiro experimental para aulas de termologia (e outras contribuições estão a caminho).

A dica de hoje, no entanto, é visitar e conhecer o "Feira de Ciências", o site do Prof. Léo (Luiz Ferraz Netto), um site que há anos está na Internet a serviço de alunos e professores interessados em aprender um pouco mais sobre Física e que traz uma infinidade de sugestões de experimentos e demonstrações. E o mais importante: essas demonstrações e experimentos funcionam!

O professor Léo, de quem me orgulho de ser "amigo virtual", tem dedicado toda sua vida ao ensino da Física e sempre foi daqueles professores que "colocam a mão na massa". Seus experimentos não são apenas teóricos, como muitos que encontramos na Internet e que depois não dão certo na hora de fazer ou, o que é pior, não ajudam o aluno a aprender nada (como vários experimentos que servem apenas para matar o tempo e distrair a classe - semelhantemente ao que alguns professores de outras áreas fazem por vezes na "Sala de Vídeo").

Uma atividade prática em Física não é apenas uma meio de estimular a curiosidade do aluno, de tornar mais lúdica a aprendizagem ou de quebrar a rotina das aulas tradicionais, uma atividade prática precisa ser pedagogicamente útil. Por isso aqui vai outra dica: antes de realizar qualquer atividade prática com a classe responda para si mesmo as perguntas abaixo:
  1. Posso explorar diversos conceitos com essa atividade?
  2. A atividade permitirá que meus alunos aprendam de forma mais fácil, simples e rápida?
  3. Vou ganhar tempo com essa atividade?
  4. É certo que aulas teóricas ou outras atividades também possíveis não produziriam um resultado tão bom quanto o que obterei com essa atividade?
  5. A atividade realmente funciona? Já foi testada? Tenho certeza de que valerá a pena?
Se a resposta for "NÃO" para qualquer uma das perguntas acima, não faça a atividade. Será perda de tempo, de recursos e de energia.

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